Indignação, nação, indigna, do verbo indigno, no dicionário Michaelis adjetivo proveniente do latim "indignu"; 1 Que não é digno. 2 Desprezível, vil. 3 Torpe, baixo. 4 Que não merece. 5 Incapaz. sm Indivíduo indigno, vil, desprezível.
Pois é, esta é a sensação que tive ontem, mais uma vez, ao acreditar que as coisas estão mudando. Ter fé, OK, vale a pena, mas a indignação persiste...
Não vou falar de política, mesmo porque este Blog não trata deste assunto (que já é por sí só indignação). Vou falar de comportamento, de uma situação que outros já se indignaram, mas provavelmente já fizeram igual. Que atire a primeira pedra.... (indig)nação.
Estive ontem em uma agência bancária aqui em SP, perto da empresa onde trabalho, por volta do meio dia, e quando estava saindo para voltar ao trabalho um colega da empresa chegou e pediu uma carona de volta, pois eu estava de carro e ele não. Como já havia feito o trabalho que precisava, aguardei-o terminar o seu para dar-lhe a solicitada carona.
Aguardei, pois, em frente a agência bancária. Algo em torno de 10 minutos. Pouco mais, pouco menos. Então veio a indignação, ou descaso, desacreditar, sei lá. A gente anda muito envolto em situações de ajudar ao próximo hoje em dia onde tudo é relativo a cuidados sociais, ecologia, save the planet e coisas afins. Pois bem. Situação corriqueira e cotidiana. Em frente a agência bancária existem três vagas para automóveis: duas abertas ao público e uma específica para deficientes físicos. Preciso continuar a história ? Minha indignação diz que sim.
As três vagas estavam preenchidas. Nas duas vagas regulares, durante o tempo que permaneci a postos esperando cumpadre voltar, os carros nem se mexeram. Nem seus donos apareceram, claro. Mas a indignação mora na terceira vaga. Estava uma Dobló estacionada, quando chegou seu dono e calmamente abre a porta, entra, mexe em alguns documentos e afins, dá a partida, espera sei-lá-o-que mais um pouco e então sai. Claro, esperava eu que este motorista fosse um deficiente físico. Só se for deficiente mental.
Não passados 30 segundos encosta outro carro e, sem nenhuma abstração, para nesta vaga. Um carro esporte vermelho, rebaixado, bonito até, mas não sei identificar a marca. "Coitado é deficiente mas ganha bem", pensei eu sem querer. Pois é, só se for deficiente mental de novo.
E o estúpido nem se deu trabalho de fechar os vidros. Cara de boçal mesmo, manja? Fiz minha cara de indignação, leve balançada de cabeça no sentido de desaprovação esperando que ele percebesse que eu percebi... Que nada, deficiente mental não percebe indiretas. Deixou o carro na vaga (im)própria dele e entrou no banco.
E a pergunta que aparece? Qual é ? "Cadê o guarda que não fala nada ?" Pois bem, justamente ao meu lado assistindo a tudo. Olhei algumas vezes para a cara dele, tentando imaginar se tomaria alguma atitude mas, de novo, indignação.... nem um músculo sequer se contraiu... deve ter pensado: "Fazer o quê, é todo dia assim"
Fazer o quê ? FAZER O QUÊ? FAZER O QUÊ ?
PUTA MERDA, façamos alguma coisa....!!!
É lindo ligar para o Criança Esperança, Teletom e Casa de sei-lá-quem pra doar dinheiro. Mas e a pequena atitude ? Porra, parei a quase uma quadra do banco pra não fazer sacanagem com o manquitola e os filhos-da-puta não tão nem aí ? Essa é a nação que queremos construir, com um dedo a menos também se é deficiente porra !
O guarda é um merda maior de quem parou na vaga. É o papel dele fiscalizar. Se eu não faço isso, nem você, não adianta nada.
Nação de mentirinha é o que estamos nos tornando. E os deficientes que parem a uma quadra. São minoria mesmo.....vil, desprezível, acho que são eles.
terça-feira, 29 de abril de 2008
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Um comentário:
Apoio sua indignação e temo que, infelizmente, Rui Barbosa tinha razão quando disse:
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
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